Um estudo recente aponta que o chamado “efeito Ozempic”, relacionado à redução de peso dos passageiros, pode gerar uma economia significativa de US$ 500 milhões para companhias aéreas. A análise considera o impacto do peso corporal no consumo de combustível, um dos maiores custos operacionais do setor.
O levantamento surge em um contexto global onde mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade, segundo dados disponíveis.
O peso do combustível nas operações aéreas
O querosene de aviação é um dos maiores custos nas operações das companhias em todo o mundo. Além disso, seu preço é cotado em dólar, o que pode ampliar a exposição financeira das empresas a variações cambiais.
Quanto mais pesado um avião, mais combustível será necessário para a realização de um voo, estabelecendo uma relação direta entre peso e gasto.
Dados do mercado norte-americano
Nos Estados Unidos, as quatro maiores empresas aéreas do país deverão consumir 16 bilhões de galões de combustível em 2026. O custo total com esse item está projetado em US$ 38,6 bilhões para o mesmo ano.
Esse valor representa 20% do total das despesas dessas companhias, destacando a relevância do tema.
O cenário brasileiro e os gastos com combustível
No Brasil, os gastos com combustível representam cerca de 30% dos custos de uma companhia aérea, um percentual ainda mais expressivo do que o observado no mercado norte-americano.
Investimentos das companhias nacionais
- Gol: desembolsou R$ 5,3 bilhões para comprar combustível em 2024.
- Azul: gastou R$ 5,5 bilhões no mesmo período.
- Latam: a fonte não detalhou dados específicos sobre gastos com combustível em sua operação no Brasil.
A Azul é a única companhia aérea nacional que disponibiliza dados sobre uso de combustível em seus relatórios financeiros. Em 2024, a empresa usou um total de 1,3 bilhão de litros de combustível em suas operações.
Os números completos de 2025 ainda não estão disponíveis, o que impede uma análise mais atualizada.
O perfil de peso da população e o impacto
O potencial de economia está diretamente ligado ao perfil de peso dos passageiros. No Brasil, 68% da população tem excesso de peso, segundo informações disponíveis.
Distribuição do excesso de peso
- 31% têm obesidade.
- 37% têm sobrepeso.
Esse cenário configura um contexto onde pequenas reduções médias de peso podem ter impacto coletivo significativo.
Globalmente, mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo vivem com obesidade, de acordo com dados citados. Esse contexto amplia a relevância do “efeito Ozempic” para o setor aéreo internacional.
Iniciativas das companhias aéreas: pesagem de passageiros
Algumas companhias aéreas já pesaram e ainda pesam seus passageiros como parte de estudos operacionais. Essas práticas não são novas, mas ganham novo significado com a discussão sobre o impacto econômico do peso dos passageiros.
Companhias com iniciativas recentes
- Air New Zealand
- Finnair
- Korean Air
Essas empresas buscam dados precisos para ajustar cálculos de combustível e segurança. A coleta de dados permite que as empresas calibrem suas operações com maior precisão, otimizando o uso de combustível e reduzindo custos.
O cálculo da economia potencial do efeito Ozempic
O estudo que aponta a economia de US$ 500 milhões parte do princípio de que a redução média de peso dos passageiros diminuiria a necessidade de combustível.
Considerando que as quatro maiores empresas aéreas dos Estados Unidos deverão ter um custo total de US$ 38,6 bilhões com combustível em 2026, a economia representaria aproximadamente 1,3% desse montante.
No Brasil, onde os gastos com combustível têm peso ainda maior nos custos, o impacto proporcional poderia ser similar ou maior. No entanto, a fonte não detalhou cálculos específicos para o mercado nacional, limitando a análise a projeções gerais.
Limitações e considerações finais do estudo
É importante notar que o estudo se baseia em projeções e não em dados consolidados de redução de peso em larga escala. Além disso, fatores como ocupação dos voos, rotas e eficiência das aeronaves também influenciam o consumo de combustível.
Essas variáveis podem modular o resultado final. A discussão, porém, joga luz sobre um aspecto pouco explorado da economia das companhias aéreas: o peso dos passageiros como variável operacional.
Enquanto o setor busca constantemente formas de reduzir custos, o “efeito Ozempic” surge como um fator inesperado, mas com potencial impacto financeiro significativo.