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Portugal suspende controle de fronteiras; setor aéreo teme filas

Portugal suspende controle de fronteiras; setor aéreo teme filas

Crédito: www.melhoresdestinos.com.br

Portugal suspendeu temporariamente a coleta de dados biométricos do novo Sistema de Entrada/Saída (EES) em pontos de fronteira, enquanto entidades do setor aéreo alertam para filas que podem chegar a quatro horas no verão. A medida ocorre em meio a um cenário paradoxal: o EES foi criado para agilizar o controle de fronteiras, mas tem gerado longas esperas desde sua implementação gradual em 12 de outubro de 2025.

EES: promessa de agilidade, realidade de filas

O Sistema de Entrada/Saída (EES) foi anunciado há cerca de uma década e, desde então, vem sendo adiado sucessivamente. A implementação chegou a ser prevista para 2022, mas acabou suspensa ao menos três vezes. Foi finalmente colocada em prática de forma gradual, em 12 de outubro de 2025. Para muitos passageiros, o EES já se provou mais uma pedra no sapato do que uma facilidade, por conta de falhas e do tempo extra necessário para o registro dos viajantes que chegam ao Espaço Schengen pela primeira vez desde a implementação do sistema.

Segundo a Comissão Europeia, o primeiro processamento de cada passageiro tem levado pouco mais de 60 segundos. No entanto, desde a implementação, quase 80 milhões de entradas e saídas foram registradas, bem como mais de 35 mil recusas de entrada, das quais cerca de 900 pessoas foram identificadas como representando uma ameaça à segurança da União Europeia.

Vídeo: YouTube | Fonte: www.melhoresdestinos.com.br

Setor aéreo alerta para esperas de até 4 horas

Portugal já lidava desde o fim do ano passado com filas quilométricas. Entidades do setor vêm alertando as autoridades europeias, desde fevereiro, que as filas podem chegar a quatro horas no pico do verão (julho e agosto). Logo que o sistema foi totalmente implementado, no início do mês passado, a ACI Europe e a Airlines for Europe (A4E) apontaram que a espera em filas era de duas a três horas.

“Esses atrasos estão ocorrendo apesar de as autoridades de fronteira estarem fazendo amplo uso das medidas de suspensão parcial, que permitem que os dados biométricos não sejam coletados”, disseram as entidades à época.

Suspensão temporária da biometria

“A suspensão da coleta de dados biométricos é possível em pontos específicos de controle de fronteira e por um período limitado, em casos de circunstâncias excepcionais que provoquem tempos de espera excessivos”, complementou a Comissão Europeia. A medida visa aliviar a pressão sobre os aeroportos, mas não resolve o problema estrutural de lentidão no processamento.

Como funciona o EES para viajantes

Ao chegar ao primeiro ponto de entrada no Espaço Schengen, o viajante deve registrar informações como o escaneamento do passaporte, biometria facial, impressões digitais e o local e a data da entrada, seja em um quiosque eletrônico ou com um agente de fronteira. Esses dados são reunidos em um banco central, que permitirá acompanhar o histórico de deslocamentos e o tempo de permanência de cada visitante. As informações ficarão armazenadas por até três anos (ou até o vencimento do passaporte) e poderão ser reutilizadas em viagens futuras.

Depois do primeiro cadastro, o passageiro se dirige às cabines automáticas que leem o passaporte e fazem o reconhecimento facial – muito parecido com o sistema que o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, tem para viajantes com passaporte brasileiro. Se tudo estiver correto, as portas se abrem e é possível seguir normalmente. Se algo der errado, o passageiro é direcionado aos guichês onde ficam alguns agentes migratórios.

O EES vale para viajantes estrangeiros que entrarem em um dos 29 países do Espaço Schengen em estadias de curta duração (até 90 dias). Isso inclui brasileiros, seja em viagens de lazer ou de negócios.

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