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Gastos com QAV guerra: Azul, Gol e Latam já gastaram R$ 3,8 bi a mais

Gastos com QAV guerra: Azul, Gol e Latam já gastaram R$ 3,8 bi a mais

Crédito: www.melhoresdestinos.com.br

Impacto financeiro da guerra no QAV

As companhias aéreas Azul, Gol e Latam já gastaram R$ 3,8 bilhões a mais com combustível de aviação (QAV) do que o previsto antes da guerra no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro. As informações são da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa o setor. Esse aumento expressivo nos custos operacionais tem pressionado as finanças das empresas e refletido diretamente no bolso dos passageiros.

De acordo com a Abear, as três maiores companhias aéreas brasileiras têm voos para 138 destinos nacionais. Até o momento, não houve cancelamento de destinos, apenas reduções em determinadas rotas. No entanto, somente neste mês, segundo estimativa da Abear, as aéreas deixaram de ter 121 voos por dia, o que indica uma redução na oferta de assentos.

Brasil não corre risco de escassez

Com a ampla produção própria, uma vantagem é que o Brasil não corre risco de escassez de QAV. Enquanto isso, a Europa importa 24% do produto diretamente do Oriente Médio e tem flertado com o desabastecimento de querosene usado em aviões. Segundo dados da Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), a América Latina produz cerca de 65% do combustível de aviação que usa localmente. Apenas 2% do combustível de aviação usado na América Latina é importado do Oriente Médio, enquanto o restante vem de outros mercados.

Essa relativa independência energética protege o Brasil de uma crise de abastecimento, mas não impede que os preços internacionais do petróleo impactem o custo do QAV. Lideranças das companhias aéreas acreditam que os preços de petróleo e do QAV continuarão elevados mesmo que a guerra termine hoje. Estados Unidos, Irã e Israel seguem se desentendendo no Oriente Médio, o que mantém a instabilidade na região.

Perspectivas das companhias aéreas

Na visão da Latam, o combustível de aviação seguirá em patamares acima do normal pelo menos até o fim do ano. A Azul não enxerga o preço do petróleo voltando para a casa de US$ 70, que era a faixa de cotação de antes da guerra. Essas projeções indicam que o alívio nos custos não deve ocorrer no curto prazo, forçando as empresas a repassar os aumentos para as tarifas.

De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), as tarifas médias no Brasil cresceram cerca de 25% no acumulado de março e abril, em comparação com o mesmo período do ano passado. A Azul, em sua projeção mais recente, apontou que as passagens estão, em média, 30% mais caras. O Grupo Abra aposta em um aumento de aproximadamente 20% no preço das passagens. A expectativa da companhia é repassar a totalidade da alta do combustível às tarifas até o fim do ano.

Reação do mercado e dos passageiros

O aumento das tarifas já é sentido pelos passageiros, que enfrentam voos mais caros e, em alguns casos, menor oferta de assentos. As reduções em determinadas rotas, embora não tenham eliminado destinos, podem estar concentradas em horários menos procurados ou em frequências menores. A Abear não detalhou quais rotas foram mais afetadas, mas a tendência é que a malha aérea se ajuste à nova realidade de custos.

Enquanto isso, as companhias buscam alternativas para mitigar os impactos, como otimização de rotas e eficiência no consumo de combustível. No entanto, a principal variável continua sendo o preço do petróleo, que permanece volátil devido ao conflito no Oriente Médio. A guerra, iniciada em fevereiro, já dura mais de três meses e não mostra sinais de trégua iminente.

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