Preço das passagens pode demorar até 12 meses para cair
O CEO da Latam, Jerome Cadier, afirmou que os preços das passagens aéreas devem demorar até 12 meses para cair, mesmo com o recuo recente do petróleo. A declaração foi feita durante evento do setor, destacando que a volatilidade dos custos e a lenta recuperação da oferta de petróleo impactam diretamente as tarifas. Dessa forma, a previsão é de que os valores permaneçam elevados por um período prolongado.
De acordo com estimativas da Abear, o querosene de aviação (QAV) representa atualmente 45% dos custos de operação das companhias aéreas. Antes da guerra, esse percentual era de cerca de 30%. O aumento reflete a disparada dos preços do petróleo desde o início do conflito. Consequentemente, as tarifas aéreas foram diretamente impactadas.
Brasil produz 80% do QAV que consome
O Brasil produz cerca de 80% do QAV que consome, o que reduz a dependência externa. A América Latina importa do Oriente Médio apenas 2% do combustível de aviação usado localmente. Apesar disso, o preço internacional do petróleo ainda influencia o mercado interno, já que o barril é cotado em dólar. Portanto, mesmo com produção local significativa, os custos permanecem atrelados ao cenário global.
Segundo a S&P Global, o mercado pode levar cinco meses para recuperar 80% da produção de petróleo registrada em fevereiro deste ano. Esse período de ajuste na oferta global mantém os preços elevados, pressionando as companhias aéreas. Assim sendo, a recuperação dos preços das passagens deve ser gradual.
Passagens subiram quase 40% desde a guerra
Desde o início da guerra, o preço médio das passagens domésticas no Brasil subiu quase 40% (acumulado de março, abril e maio), em comparação com o mesmo período do ano passado. Em maio, a média do preço das passagens domésticas ficou em R$ 632,48. Por exemplo, esse valor representa um aumento significativo em relação ao período anterior ao conflito.
Azul, Gol e Latam viram as tarifas dispararem em março deste ano na comparação com o mês imediatamente anterior (+14%). Em abril, houve uma desaceleração de -5% em relação a março, e em maio, nova queda de -6% ante abril. Apesar da leve redução, os valores ainda estão bem acima do patamar pré-guerra. Todavia, a tendência de queda é um sinal positivo para os consumidores.
Perspectivas para o consumidor
Para o consumidor, a expectativa é de que os preços permaneçam elevados por pelo menos mais um ano. A combinação de custos operacionais altos, recuperação lenta da produção de petróleo e demanda aquecida mantém as tarifas em patamares elevados. Ou seja, não há previsão de redução significativa no curto prazo.
Enquanto isso, as companhias aéreas buscam alternativas para reduzir custos, como otimização de rotas e renovação de frotas. No entanto, o repasse ao consumidor deve continuar até que o mercado se estabilize. Dessa forma, os passageiros devem se preparar para tarifas altas por mais alguns meses.
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