Novo atraso no trem de Guarulhos
O sistema de transporte automatizado que ligará o Aeroporto Internacional de Guarulhos à linha 13-Jade da CPTM enfrenta novos atrasos. Um documento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) revela que a operação plena pode ocorrer apenas em agosto de 2026.
As datas foram apresentadas pela AeroGRU, consórcio responsável, durante visita técnica da Anac em novembro de 2024. Essa informação coloca em xeque as expectativas de uma solução rápida de mobilidade no maior aeroporto do país.
Cronograma apresentado pelo consórcio
De acordo com o cronograma da AeroGRU:
- Operação parcial: primeiro trimestre de 2026
- Operação plena com certificação: 10 de agosto de 2026
A Anac, porém, faz ressalvas importantes. A agência aponta que até agosto de 2026 permaneceriam restrições de:
- Horário e velocidade
- Capacidade e frota
- Ausência de sincronização
- Inexistência de certificação do sistema
Essa perspectiva técnica sugere que os usuários podem enfrentar limitações significativas mesmo após o início das operações.
Divergências sobre capacidade técnica
As opiniões sobre a viabilidade do projeto divergem radicalmente entre a Anac e o consórcio responsável.
Posição da Anac
Segundo a agência reguladora:
- Os prazos foram apresentados apenas verbalmente
- Não há elementos técnicos suficientes para considerar confiável qualquer prazo
- Não há elementos concretos que indiquem capacidade técnica suficiente do consórcio
Essa posição reflete preocupações profundas sobre a execução do projeto.
Defesa da AeroGRU
Em contraste, a AeroGRU defende seu trabalho:
- A operação com funcionários desde dezembro mostra plena capacidade técnica
- Mais de 15 mil testes foram realizados desde outubro
- Não há pendências que comprometam a entrega do sistema
Essa visão otimista contrasta com o ceticismo da agência reguladora, criando um cenário de incerteza.
Certificação e negociações em andamento
A principal questão em torno dos atrasos seria a complexidade da certificação de segurança. Esse processo técnico rigoroso exige testes extensivos e aprovações detalhadas.
Desafios com fornecedores
O consórcio enfrenta desafios em sua cadeia de fornecedores. No documento da Anac, a AeroGRU atribui parte da responsabilidade pelos atrasos à Innomotics, fornecedora de motores elétricos e sistemas de acionamento.
Segundo o consórcio, está negociando ajustes com a fornecedora, sem detalhar a natureza dessas discussões. As tratativas envolvem aspectos técnicos e comerciais indispensáveis.
Em resposta, a Innomotics afirmou que trabalha em estreita colaboração com seus parceiros para garantir o resultado mais pontual e bem-sucedido do projeto.
Como funcionará o sistema
Quando finalmente entrar em operação regular, o aeromóvel promete transformar a experiência dos passageiros no aeroporto.
Características técnicas
O sistema terá as seguintes características:
- Conexão: todos os terminais do Aeroporto de Guarulhos à linha 13-Jade da CPTM
- Frota: três trens com dois carros cada
- Capacidade: 200 pessoas por viagem
- Horário: das 4h à 0h diariamente (mesmo padrão da CPTM)
Essa sincronização permitirá que passageiros e trabalhadores utilizem o transporte público de forma integrada.
Operação faseada
Depois do início das operações para todo o público, o aeromóvel seguirá em operação faseada até cumprir todas as etapas finais de certificação. Essa abordagem gradual busca equilibrar a necessidade de colocar o sistema em funcionamento com os requisitos técnicos de segurança.
Impacto na mobilidade aeroportuária
A implementação do aeromóvel representa um marco importante na infraestrutura de transporte do principal aeroporto brasileiro.
Benefícios esperados
A conexão direta com a linha ferroviária metropolitana deve:
- Reduzir significativamente o tempo de deslocamento
- Oferecer alternativa ao tráfego intenso das rodovias
- Integrar o aeroporto ao centro de São Paulo e outras cidades servidas pela CPTM
Incertezas persistentes
As divergências entre a Anac e o consórcio deixam em aberto quando exatamente os benefícios estarão disponíveis. Enquanto a AeroGRU mantém otimismo, a Anac continua cautelosa, destacando a necessidade de elementos técnicos mais sólidos.
Essa tensão reflete os desafios complexos de grandes obras de infraestrutura no país. A resolução dessas divergências determinará quando os passageiros poderão finalmente contar com essa nova opção de mobilidade.

